Annie Ernaux nasceu em 1940, em Lillebonne, na França. Estudou na Universidade de Rouen e foi professora do Centre National d’Enseignement par Correspondance por mais de trinta anos. Seus livros são considerados clássicos modernos na França. Em 2022, Ernaux recebeu o prêmio Nobel de literatura pelo conjunto de sua obra.
Transgredir os limites de quais histórias e temas podem ser considerados dignos de literatura é um dos muitos êxitos da obra de Annie Ernaux, que há mais de quatro décadas se dedica à autobiografia, sempre atenta à dimensão social e política do que é individual.
Em Olhe as luzes, meu amor, escrito na forma de diário íntimo, Ernaux volta sua atenção para o fenômeno dos grandes supermercados, espaço de consumo onipresente na vida moderna. As observações atentas e singulares registradas em suas visitas a um hipermercado dentro de um shopping perto de Paris, ao longo de 2012 e 2013, resultam em terreno fértil para a análise política, social e cultural da autora francesa. O que um carrinho de compras revela sobre uma pessoa, sobre uma família? Como o horário de fazer compras se relaciona com diversidade étnica, social e etária dos clientes? O que se esconde atrás dos preços em letras gigantescas sobre fundo amarelo-limão dos cartazes de ofertas? Como o desabamento do edifício de uma empresa têxtil em Bangladesh se conecta ao êxito de um hipermercado e seus preços baixos?