Josephina Álvares de Azevedo
Foi escritora (poeta, contista e dramaturga), jornalista e uma das precursoras do feminismo no Brasil. Ela contava que nascera no Recife, onde viveu até os 26 anos, e que era prima de Álvares de Azevedo (e não sua meia-irmã, como se dizia). Fundou o jornal literário A Família, em 1888. O jornal serviu como caixa de ressonância do movimento feminista brasileiro ao publicar contos, prosas, poemas e traduções.
Narcisa Amália
Foi poeta, jornalista e professora. Nasceu em São João da Barra (RJ) em 1852, filha de Jácome de Campos, poeta, e Narcisa de Campos, professora. Aos onze anos, muda-se para Resende (RJ). A partir de 1952, a poeta passa a se desenvolver intelectualmente e, logo em seguida, torna-se a primeira jornalista profissional do país, atuando na Gazetinha de Resende, como redatora, revisora e tradutora, e colaborando com outros meios de comunicação impressa, como A Família. Sempre se posicionando a favor da abolição da escravatura, defende a mulher e os ideais republicanos, temas presentes também em sua produção poética.
Auta de Souza
Poeta negra, nasceu em 1876 em Macaíba (RN), cidade que naquela época era o principal centro comercial e político do estado. Possivelmente, descendia de pessoas escravizadas. Estudou no colégio interno de São Vicente de Paula e nesse período se tornou fluente no idioma francês, no qual depois também escreveria poemas. Em 1894, começa a publicar na revista Oásis, de Natal (RN), e em outros jornais, utilizando-se às vezes de pseudônimos. Sua produção abarca temas como orfandade, lutos, religiosidade, seu adoecimento e amor. Falece em decorrência da tuberculose, aos 24 anos, mesma doença que vitimara seus pais.
Gilka Machado
Poeta negra, considerada a primeira poeta erótica do país, Gilka Machado nasceu no Rio de Janeiro em 1893, numa família de artistas. Com catorze anos ganhou primeiro, segundo e terceiro lugares em um concurso de poesia do jornal A Imprensa, causando escândalo pelo teor erótico dos poemas. Com Bertha Lutz, é uma das fundadoras do Partido Republicano Feminino — o primeiro partido político para mulheres — e se torna uma das vozes do direito delas ao voto. Em 1933, foi eleita a maior poeta do Brasil em um concurso promovido pela revista O Malho. Em 1979, recebeu o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pela publicação de Poesias completas, antologia organizada por sua filha, e no ano seguinte faleceu em sua cidade natal.
Esta antologia reúne poemas de quatro escritoras brasileiras nascidas no século 19, Josephina Álvares de Azevedo (1851- c. 1913), Narcisa Amália (1852-1924), Auta de Souza (1876-1901) e Gilka Machado (1893-1980), cujas obras têm despertado interesse crescente neste momento em que a poesia brasileira se debruça sobre a própria história, a fim de ouvir as tantas vozes femininas e negras que foram “esquecidas” pela historiografia literária durante tanto tempo. Os poemas reunidos neste livro nos fazem refletir sobre o que aconteceu desde o período em que essas mulheres eram praticamente proibidas de escrever até atualmente, em que a face principal da poesia brasileira é feminina. Como afirmam as organizadoras da obra, Ana Rüsche e Lubi Prates, duas pesquisadoras importantes da produção poética nacional escrita no século 21, “se escrevemos poesia hoje, também é pela obstinação e pela força dessas oito mãos, que juntas nos amparam nesta longa História”.