Ricardo Terto é escritor, roteirista e editor de áudio. Trabalhou em diversos postos de atendimento e varejo até começar a publicar textos na internet. É autor de Os dias antes de nenhum (Patuá, 2019), Quem é essa gente toda aqui? (Todavia, 2021), Brincadeira sem futuro (Todavia, 2024) e Marmitas frias: e requentadas (Fósforo, 2025), além de ministrar oficinas de escrita e de roteiro para audiovisual.
A fortaleza dos Homens-Borracha — primeiro romance de Ricardo Terto, autor cultuado por suas crônicas e contos — é um mergulho numa história explosiva sobre como o trauma se transforma em ação coletiva quando a dor individual não encontra canais de justiça.
Como um roteiro cinematográfico, a narrativa acompanha a Cozinheira, o Chaveiro, o Demolidor e a Professora, moradores da periferia de São Paulo que, após perderem pessoas queridas, vítimas da violência de Estado, decidem se reunir em busca de desforra.
A partir desses encontros surge um plano mirabolante que nossos heróis sem capa decidem realizar como um gesto simbólico para que a memória de seus entes não seja dizimada pela polícia, isto é, os “Homens-Borracha” — seres metafóricos capazes de apagar a história dos outros. A partir daí, o que era a reconstrução de vidas partidas se transforma na trajetória de quatro pessoas unidas pela vingança.
Como uma peça audiovisual ou uma HQ de super-heróis permeada por metáforas e pelo humor ácido próprio de Terto, o livro é um convite à reflexão sobre luto, “uberização” do trabalho, violência policial e desigualdade social nas grandes cidades brasileiras.