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O que é meu

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José Henrique Bortoluci

José Henrique Bortoluci é doutor em sociologia pela Universidade de Michigan, pesquisador e professor. O que é meu (Fósforo, 2023), seu livro de estreia, foi publicado em doze idiomas.

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Descrição

Neste livro, vencedor do prêmio APCA, publicado em doze idiomas e elogiado por Annie Ernaux, o sociólogo e professor José Henrique Bortoluci parte de entrevistas realizadas com seu pai, motorista de caminhão por cinquenta anos, para retraçar a história recente do Brasil e da própria família. Capítulos marcantes de nosso passado e presente se revelam pelos olhos de um cidadão comum, que vivenciou a ditadura militar e seus delírios megalomaníacos, como a construção da rodovia Transamazônica, e as marcas violentas da chegada do suposto “progresso” ao interior do país. Essa devastação também permite que o autor se aproxime de outro assunto doloroso: o câncer que acomete seu pai e o tratamento médico pelo qual ele passa durante a escrita do livro. As marcas no corpo do paciente podem ser lidas, de algum modo, como as cicatrizes deixadas no Brasil pelo projeto desenvolvimentista que até hoje perdura em nosso imaginário político.

A distância que seu Didi percorre com o caminhão também é a mesma que foi se abrindo entre seu destino e o do filho, que consegue mudar de classe social através do estudo. Além de um feito literário e de uma valiosa reflexão histórica e sociológica do país, O que é meu é também uma tentativa comovente e exitosa de unir, novamente, dois caminhos.

Por que ler na sala de aula?

  • A obra dá voz a alguém que por sua classe social não teria a vida narrada. É raro a presença de caminhoneiros como protagonistas na literatura e no audiovisual brasileiros.
  • O livro se insere numa tradição literária que surgiu na França com Annie Ernaux e se tornou popular no Brasil, a autossociobiografia. Essa proximidade, assim como as diversas referências literárias inseridas, estimulam a curiosidade do leitor por outras obras e autores.
  • No diálogo com História: possibilidade de aprofundar o estudo do período da ditadura militar, seus projetos de desenvolvimento econômico e suas ações de repressão política no território nacional.
  • No diálogo com Geografia: debate e reflexão sobre os impactos da ocupação do território da Amazônia na paisagem e no equilíbrio ambiental a partir da abertura da Transamazônica, da construção da usina de Belo Monte, da exploração de recursos naturais e do desenvolvimento da agropecuária.
  • No diálogo com Sociologia: debate e reflexão sobre o acesso à educação como possibilidade de ascensão social, mas também gerador de distanciamento do indivíduo do meio de origem, situação familiar a muitos jovens brasileiros.