Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908) nasceu e morreu no Rio de Janeiro. Publicou crítica, poesia, conto, teatro, crônica, tradução e romance. Autor de clássicos como Dom Casmurro e Memórias póstumas de Brás Cubas, entre tantas outras obras, é considerado o maior escritor da literatura brasileira de todos os tempos.
Machado de Assis, volta e meia, encontrou no mundo animal a inspiração para contos e crônicas. Alguns desses textos, publicados num intervalo de quase quatro décadas, estão reunidos de forma inédita em Na arca: Machado de Assis e os animais. Nesta coletânea, o cão, o burro, o gato, o rato, o canário e diversos outros bichos são postos em cena como personagens principais e sob enfoques inusitados. Sem função edificante, como nas fábulas tradicionais, os animais de Machado se expressam como se pudessem empregar a linguagem verbal e os saberes científicos da época. Assim é, por exemplo, no conto “Ideias de canário”, em que o pássaro questiona o olhar humano sobre a natureza, e na crônica “Conversa de burros”, em que uma dupla de puxadores de bonde trava um diálogo filosófico sobre a exploração imposta pelos homens. Esses textos não servem apenas para contar histórias de animais, mas sim para usar a figura do animal como um espelho da sociedade brasileira do século 19, criticando a crueldade e a servidão.